Até 2050, a população mundial ultrapassará os 9 mil milhões de pessoas e, segundo o documento, o consumo de energia irá aumentar significativamente, prevendo-se que duplique até aos 20 Gtoe por ano enquanto, para o mesmo período, se prevê que a procura de electricidade venha a triplicar.A Europa (excluindo a Rússia), importa actualmente 50 por cento da energia que consome, prevendo-se que este número aumente para os 70 por cento até 2030.
Garantir a segurança de abastecimento estabilizar ou reduzir as emissões de Gases de Efeito de Estufa (GEE), manter a economia competitiva, estabilizando os preços da energia a um nível economicamente viável são so grandes desafios apontados.
E a decisão tem de ser tomada rapidamente, já que a Europa encontra-se numa encruzilhada: mais de 80 por cento da capacidade instalada (actualmente mais de 1 000GW) terá mais de 30 anos em 2020. Isto significa que um grande número de centrais de produção de electricidade serão encerradas entre 2010 e 2030.
«A energia nuclear pode oferecer vantagens ambientais», revela o documento, nomeadamente se as emissões de CO2 forem penalizadas, já que o nuclear não produz GEE. A redução da quantidade de resíduos é outra das vantagens do nuclear, já que cerca de quatro por cento dos produtos resultantes da fissão original seriam rejeitados e os restantes 96 por cento de urânio e plutónio seriam reciclados e reutilizados.
Ainda assim, e apesar dos benefícios, mantêm-se «incertezas consideráveis» quanto à possibilidade da energia nuclear desempenhar um papel importante na satisfação das necessidades energéticas nas próximas décadas.
«É evidente que a energia nuclear continuará a ser um tema controverso e muito politizado, se as principais preocupações que a indústria nuclear enfrenta actualmente não forem resolvidas. Uma das principais questões é a gestão e armazenamento de combustível nuclear usado», pode ler-se no relatório.
Também o facto de não existir uma solução técnica e financeira adaptável a todos os países para a gestão dos seus resíduos nucleares torna esrta opção economicamente pouco eficiente, embora a questão central passepor saber se o público está disposto a aceitar no seu próprio território os resíduos nucleares.
O relatório destaca a necessidade de aumentar o apoio à I&D, em particular para as tecnologias de 4ª geração, que se prevê que venham a estar disponíveis no mercado entre 2030 e 2040. Espera-se que estas venham a tornar a energia nuclear sustentável e, simultaneamente, reduzir em cerca de 100 vezes as necessidades de urânio e a produção de resíduos radioactivos de longa duração. Espera-se igualmente que elas venham a alargar a sua aplicabilidade para produtos além da energia eléctrica como o hidrogénio, os combustíveis à base de hidrocarbonetos sintéticos e produção de calor para a indústria.
«Os países europeus e os Estados-membros da União europeia em particular devem considerar seriamente a inlusão da opção nuclear no seu mix energético. Isto implica aumentar a atenção do público relativamente às questões energéticas, fornecendo informação exacta e actual e promovendo campanhas de comunicação eficientes e integradas. Os membros europeus do Conselho Mundial de Energia estão prontos e dispostos a trabalhar juntamente com todos os accionistas para assegurar uma abordagem factual, equilibrada e não enviesada à opção nuclear, como parte integrante da estratégia para manter todas as opções
energéticas em aberto», sugere o documento.
Diana Catarino
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