Escrito por Virgínia Alves 2011-01-22
O preço do gasóleo deverá agravar-se nas "próximas semanas" e sem ter em linha de conta o preço do crude ou dos produtos refinados, mas sim a nova fórmula de cálculo do preço máximo de venda dos biocombustíveis, definida em portaria pelo Governo.
A portaria que define a fórmula para calcular o preço máximo de venda do biodiesel, introduzido obrigatoriamente no gasóleo, surge após o fim da isenção do pagamento de Imposto sobre Produtos Petrolíferos (ISP) por parte dos produtores desse componente no início deste ano que implicou passar esse custo para os consumidores com um aumento imediato do preço do gasóleo em 0,022 euro, a que também se somou a subida do IVA.
No entanto, mantinha-se o risco da subida dos preços das matérias-primas e para responder a essa questão surge a nova fórmula de cálculo com o objectivo de diminuir o desvio "entre os custos da matéria-prima e o valor final, que era cada vez mais acentuado" e que, de acordo com uma fonte do Ministério da Economia, estava a dificultar a continuidade da "produção em Portugal".
De acordo com a mesma fonte, e tendo em conta os preços actuais, a nova fórmula irá implicar um aumento do preço.
De acordo com António Comprido, secretário-geral da Apetro, associação das petrolíferas, tal "traduzir-se-á num custo adicional para o gasóleo rodoviário de cerca de 2 cêntimos por litro que poderão ser repercutidos nos preços de venda ao público, nas próximas semanas".
Segundo a fonte do Ministério, "se as condições do mercado (das matérias-primas) se alterarem, o preço descerá. Além disso, é preciso ter em conta que há limites para o aumento. Ou seja, só pode haver aumento até ao ponto em que o diferencial entre a matéria prima e o gasóleo seja de 450 euros por tonelada".
Uma subida grande do preço do gasóleo afecta em larga escala as empresas transportadoras de mercadorias que há algum tempo reclamam medidas do Governo, como a criação do gasóleo profissional. Na quinta-feira, os representantes do sector foram recebidos pelo secretário de Estado dos Transportes, que "considerou a nossas propostas exequíveis, mas a aprovação, essencialmente a relativa ao gasóleo profissional, depende do Ministério das Finanças", disse Artur Mota, da ANTP.
Publicado no Jornal de Notícias
—————