A utilização de lamas de estações de tratamento de águas residuais e de cinzas das caldeiras de biomassa nos solos florestais traz ganhos de produtividade. A conclusão é do RAIZ- Instituto de Investigação da Floresta e Papel, da Portucel/Soporcel.
Luís Machado, investigador do instituto - que vai falar sobre este tema no âmbito do 5º Fórum Nacional de Resíduos, num workshop dedicado aos bioresíduos - explica que a aplicação destes materiais, oriundos da indústria papeleira, tem vindo já a ser feita há alguns anos. «Há dez anos que a Portucel aplica as lamas de depuração de ETAR nos solos, na perspectiva do sector integrado em que se pretende fechar o ciclo. Na altura pretendia-se verificar oportunidades de sustentabilidade, utilizando um subproduto da indústria como forma de colmatar a falta de nutrientes da floresta», adianta o responsável. Este tipo de lamas tem capacidade para repor nutrientes importantes como o azoto, cálcio, potássio e fósforo, que aumentam a produtividade da floresta.
Um dos problemas que subsiste na utilização deste material prende-se com os custos de aplicação, que são mais elevados do que os verificados com a utilização de fertilizantes convencionais. «Como este subproduto é mais húmido e tem mais volume, tem maiores custos de transporte. É uma área que tem de ser optimizada», assevera o investigador.
Neste sentido o Raiz empreendeu ensaios de compostagem das lamas. Para o efeito é adicionado um material estruturante, por exemplo, casca de pinheiro. «O processo é muito simples, o material não precisa de ser misturado e ao fim de 35 dias temos um composto maduro», destaca Luís Machado.
Esta compostagem permite a redução da quantidade de resíduos em cerca de 40 por cento, o que é bastante «promissor». Além do mais o composto é muito equilibrado e não apresenta qualquer risco, visto que é sujeito a altas temperaturas (higienização).
Estes resultados atestam a vantagem na compostagem das lamas, pelo que a Portucel pretende vir a utilizar este composto «seco» em detrimento das «lamas frescas». O produto está já a ser preparado para homologação junto das autoridades competentes, garante o responsável.
A par desta investigação, o Raiz efectuou testes com resíduos urbanos biodegradáveis, a pedido de uma associação de produtores, tendo verificado que também estes resíduos melhoram a qualidade dos solos. No entanto, «os ganhos são inferiores aos verificados com as lamas da nossa indústria», assegura Luís Machado, acrescentando que ficou evidenciado a necessidade de melhoria da triagem dos resíduos, uma vez que foram encontrados materiais como canetas, facas ou outros que podem pôe em causa a qualidade da «fertilização».
Lúcia Duarte
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