Negócios entre os dois países de vento em popa

27-11-2010 23:49

2010-05-20

V.A.

O crescimento económico do Brasil nos últimos anos permite-lhe deixar de ser receptor de fundos do FMI para passar a ser doador.

Com a crise económica e financeira a pairar no mundo, o Brasil registou um crescimento negativo de apenas 0,2% em 2009, e as estimativas internacionais apontam para um crescimento do PIB de 6% já este ano.

Números que o tornam no quarto favorito para investir, e Portugal sabe disso, daí a existência de diversos negócios em parceria entre empresas nacionais e brasileiras.

É o caso da Portugal Telecom que detém 50% da Vivo, maior operadora móvel do Brasil, e que é considerada pela PT um pilar de crescimento da empresa, basta pensar que o Brasil tem cerca de 193 milhões de habitantes. Além disso, a importância desta empresa foi sublinhada com o interesse da Telefónica, espanhola, em comprar a parte portuguesa.

Do lado brasileiro também é manifesto o desejo de investir em Portugal. Recorde-se o projecto Embraer, em Évora, anunciado em 2008, e que ontem recebeu luz verde da Direcção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia, que tinha levantado dúvidas sobre a legalidade das ajudas a conceder pelo Estado português ao projecto da multinacional brasileira, que ocupa a terceira posição mundial na indústria aeronáutica.

O projecto da Embraer previa a construção de duas fábricas na área da aeronáutica, uma de estruturas metálicas (asas) e outra de materiais compósitos (caudas), sendo que as unidades serão dedicadas inicialmente ao suporte logístico de jactos executivos.

Mas, num país com a dimensão do Brasil, o crescimento assenta em diferentes sectores, e naturalmente que o petróleo é essencial: muitas empresas já estabeleceram parcerias com o Brasil e outras projectam fazê-lo. Portugal já está presente, e ontem foi formalizado o desenvolvimento do "Projecto Belém", onde a Galp e a Petrobras vão investir 357 milhões de euros. O projecto deverá iniciar a produção de biodiesel em 2015, a partir de óleo de palma produzido no Brasil, que será refinado em Portugal, numa fábrica a construir na refinaria de Sines.

Publicado Jornal de Notícias

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